segunda-feira, 30 de março de 2015

Sobre a finitude... O luto!

“Quando a tristeza perde a fala, sibila o coração, provocando de pronto uma explosão” (Shakespeare)
Esses últimos dias foi inevitável pra mim não pensar sobre nossa finitude, com esses pensamentos, os diversos ensinamentos que tive, tanto no meio acadêmico como na própria vida. A impermanência.
Impermanência: relativo a impermanente, que não é permanente, que é instável, inconstante. (Dicionário Aurélio)
Todos nós seres humanos desde muito cedo aprendemos isso: Nenhum de nós “nasceu pra semente”. Ouvimos ainda que “só não tem jeito pra morte”.
Mas, se essa é a única certeza que temos à respeito da vida (ou do fim dela) por que evitamos tanto este assunto?
É de certo que a morte nos amedronta, nos aterroriza. Tanto que poucas pessoas conseguiram ler esse post até o fim.
Acontece que fugimos a todo custo dessa temática, sobretudo quando nos vemos imersos sob ela. Fugimos da perda. Essa perda que nos é imposta no fim da vida e que é tão dolorosa como a perda do nascimento, quando nos retiram do nosso ambiente de outrora, o ventre de nossas mães.
O que assistimos constantemente são cientistas buscando meios de evitar ou postergar esse fato que é o único fato certo para todos nós.
Nascemos e sabemos que um dia iremos morrer. Uns mais cedo que outros, um de forma mais inesperada que o outro, mas de uma forma ou de outra irá chegar “o anjo da morte” e nos levará pra um lugar que não conhecemos.
Tudo se torna ainda maior quando essa finitude é um fato que recai na vida de quem amamos, de quem somos apegados. Parece até que somos mais apegadas à vida dos outros do que à nossa própria. Não queremos nem pensar em ver quem amamos partindo do nosso convívio.
“A intensidade do luto é proporcional à força do apego” (Edirrah Soares & Maria Aparecida Mautoni)
Viver o luto nunca é fácil, ele nunca é fácil de ser elaborado. Antes da acomodação, da sua elaboração, há o sofrimento da transição. Algo nos foi tirado. As pessoas (ou animais, ou objetos, etc) são incorporados em nosso ego de modo tão forte (se assim posso dizer) que, realmente, quando nos são “tiradas” é como se tirassem um pedaço de nós. Parecemos incompletos.
Segundo a Psicóloga Estela Noronha (para o site Rit), o luto é um processo que ocorre imediatamente após a morte de alguém que amamos. Não é um sentimento único, mas um conjunto de sentimentos e emoções que requer um tempo para serem digeridos e resolvidos que não pode ser apressado, cada um de nós tem um “tempo emocional” que deve ser respeitado.
O que não se deve, de forma alguma, é evitar a dor da perda. “A dor é suportável quando conseguimos acreditar que ela terá um fim e não quando fingimos que ela não existe.” (Allá Bozarth-Campbell)
O luto nos envolve de forma total, ou seja, temos reações físicas, emocionais, sociais, comportamentais e até espirituais.
Pude ver isso nas mais de 24 horas em que passei acompanhando uma pessoa que amo no hospital. Ela hoje está bem. Mas os pensamentos e sofrimentos que tive só pelo fato de pensar em sua finitude e o que pude ver nas pessoas que perdiam seus entes queridos  deixam claro essa devastação que o luto causa.
Nossa alma parece acompanhar o estado do nosso corpo: Frio. Frio pelo ambiente hospitalar que já é assim, principalmente à noite quando a temperatura cai alguns graus, frio como a forma impessoal que os médicos precisam lidar com os casos ali apresentados, frio como aquele frio que dá na barriga cada vez que somos chamados para saber como está a pessoa que acompanhamos.
Mas a única forma de enfrentar o luto é vinvendo-o. Colocando aquele ente querido que se foi em outro patamar, tendo uma nova relação com ele, um novo vínculo. O sofrimento passa a ser menos intenso e assim retomamos nossa vida.
Bom seria se fôssemos todos infinitos. Permanentes. Por outro lado, parece que só percebemos a importância das pessoas quando essa finitude chega. Portanto, o que nos resta é viver. Viver a nossa vida. Viver o luto que nos é imposto. Viver mais intensamente os momentos com as pessoas a quem somos apegados, a quem amamos. 
Vó, te amo e que bom estar tudo bem contigo.
Abraço forte e acolhedor em todos!

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