Filh@,
gostaria de deixar claro algumas
questões pra você.
Sei que é difícil entender que eu te
amo com tantas “cobranças” e “reclamações” que tenho feito devido a alguns de
seus comportamentos.
Eu sei que você tem certa necessidade
de se opor às coisas que digo ou proponho, afinal, você está querendo ter uma
identidade própria e para isso precisa dizer o que pensa e sente. Sei que faz
isso também quando deixa seu quarto bagunçado embora eu peça insistentemente
para arrumá-lo, você quer mostrar que isso não é tão importante pra você e que
tem outras questões que te incomodam mais que isso.
Sei que tem momentos que quer ficar
sozinho e que qualquer palavra minha acaba te chateando, sei que muitas vezes
você está com mau humor, quer ficar mudo e não quer papo comigo. Na verdade,
entendo que nem sempre queira me contar suas experiências e aventuras, mas peço
também que me entenda, só insisto porque me preocupo com você. Porque não quero
que você passe pelo que passei. Que sofra como eu sofri.
Eu até entendo que os tempos são outros
e que você me acha antiquado ou que não largo do seu pé. Mas tudo isso é
cuidado. Sei que às vezes acabo errando a mão, faço em excesso, mas não pense
que acho que você ainda é uma criancinha. Na verdade eu tenho é medo. Medo de
que você acabe indo por caminhos tortuosos ou que possam te fazer sofrer.
Sabe, muitas vezes eu te critico,
reclamo e até falo algo que te machuca, mas acredite: te considero @ melhor
filh@ do mundo. Tenho um enorme orgulho de você. Só que assim como você também
tenho receio de te falar essas coisas e parecer careta pra você.
Quando tinha a sua idade gostaria de
dizer para meus pais o quanto eles eram importantes pra mim. Mas estava muito
ocupado com minhas coisas e muitas vezes nem percebia os esforços deles para me
ver feliz e tendo minhas necessidades supridas. Hoje sinto falta deles e às
vezes bate um remorso por não ter falado isso pra eles. Procuro ser melhor
ainda que eles, na medida do possível, para que você tenha orgulho de mim como
seu pai, como sua mãe.
Não é fácil. Não é fácil ter um filho
ou uma filha adolescente, na verdade é uma arte e quero te pedir ajuda para
isso. Que me ajude a ser melhor pra você. Como você pode fazer isso?
Fazendo o que você tanto gostaria que
eu fizesse: Me entendendo. Entenda, pelo amor de Deus, que eu não quero o seu
mal ou te fazer pagar mico na frente dos seus amigos e colegas. Que eu não
quero te prender em casa quando não acho legal você chegar tarde. Que não quero
te controlar quando pergunto para onde vai e com quem vai estar. Que, embora eu
não fale, tenho orgulho das suas conquistas. Mas acima de tudo quero que
entenda uma coisa:
EU TE AMO E TUDO QUE FAÇO É PARA TE VER
FELIZ E, SE MUITAS VEZES EU ERRO, SAIBA QUE ERRO QUERENDO ACERTAR COM VOCÊ!
Sucesso filh@! Estarei sempre com você
no que precisar e pode contar comigo.
Escrevi este texto após uma palestra
que realizei alguns dias atrás a respeito de como dar limites nos tempos de
hoje, fiquei comovido com algumas mães que vieram até mim com alguns
questionamentos. A partir deles tentei expressar em palavras o que pude notar
com o que ouvi. Claro que é praticamente impossível esgotar tudo o que os pais
gostariam de dizer aos filhos, principalmente aos que estão na adolescência,
mas eis que tentei, do meu jeito é claro, descrever um pouco desses sentimentos
que são sentidos por eles. Espero que tenha ajudado você de alguma forma.
Forte abraço a todos e não esqueçam que,
embora muitas vezes não nos digam com palavras, aqueles que nos amam fazem de
tudo para nos ver felizes.

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