No geral eu me amo! Só queria mesmo era mudar meu nariz, ter olhos mais bonitos, um cabelo melhor, pernas mais grossas, barriga tanquinho, braços mais torneados, bumbum mais redondinho e empinado, costas mais bonitas, uma pele mais lisinha... Mas no geral eu gosto muito do que vejo no espelho!
Quantas
pessoas você conhece que não estão satisfeitas com seus corpos? Quantas pessoas você não já ouviu falar isso que está nas primeiras linhas desta postagem?
Inúmeras
não é mesmo?
Até
aí tudo bem, mas... e quando essa insatisfação é crônica, ou seja, quando a
pessoa não consegue encontrar em si algo de bom focalizando-se apenas em algum “defeito”
de seu corpo? Mais ainda... E quando essa visão distorcida impede essa pessoa de ter uma vida social? E quando você simplesmente prefere ficar em casa para não ter que mostrar ao mundo a "monstruosidade" que essa pessoa acredita ver no espelho? Aí já é de se preocupar né?
Estou
falando do Transtorno Dismórfico Corporal (TDC).
Segundo
Ballone (2008), o TDC é caracterizado pela preocupação com um imaginado defeito
na aparência. Se existir uma pequenina (as vezes imperceptível) anomalia física
é como se essa fosse aumentada com uma lente de aumento. Essa preocupação gera
sofrimento ou prejuízo no comportamento social ou funcional ou em outras áreas
importantes da vida do indivíduo.
Começa
geralmente na adolescência, podendo ser diagnosticado mais tardiamente. Não há grandes diferenças em acometerem homens e mulheres, ambos são igualmente suscetíveis à doença.
Mas,
como que esse transtorno acontece?
Existe
uma grande relação com alguma disfunção de certos neurotransmissores (substâncias
químicas produzidas pelos neurônios) mais precisamente a serotonina. Ela, entre
outras coisas regula o sono, o apetite e também influência no humor, nas
emoções, na memória, no desejo sexual, etc. Aí está a sua causa biológica.
Pode
acontecer a partir de uma desestruturação do EU, que se manifesta com uma dor
psíquica. Onde alguma coisa não foi simbolizada psiquicamente e isso retorna
como um defeito imaginário no corpo.
Mas
também tem um elemento sociocultural.
Acontece
que somos um sociedade, infelizmente, guiada pela mídia. Que diz o que devemos
ou não comer, fazer, vestir, se comportar e SER. O que me deixa mais intrigado
é: A mesma mídia que diz que comer no Bobs, McDonalds, Pizza Hut, dentre outras
franquias de fast foods cheios de gorduras e carboidratos que só servem pra
manter indivíduos obesos ou perto disso, diz que as meninas devem ter corpo de
Panicat ou Verão (como na propaganda da cerveja), e os rapazes Léo Santana ou
qualquer outro ator ou cantor magro ou musculoso, enfim, ícones da “beleza”.
Qualquer
coisa diferente disso é “anormal”, não presta, tem que mudar. O que gera uma
ansiedade ainda maior em indivíduos que já não tem uma auto-estima que já não é
lá essas maravilhas. Não somos trabalhados culturalmente para nos aceitarmos e
gostarmos de nós mesmos. São verdadeiros heróis aqueles que conseguem se manter
satisfeitos consigo mesmo. Neste cenário surge meio que uma imposição da sociedade
e... Já era!
Aí
se aumentam as neuras, as distorções. Homens e mulheres lindos que não
conseguem se ver assim. Recorrem a cirurgias plásticas, anabolizantes, ou
qualquer coisa que possa deixá-los mais “bonitos”.
Os
pensamentos são persistentes sobre os “defeitos” na aparência corporal são
praticamente delirantes, além de intrusivos à consciência (você não quer mais
eles invadem), difíceis de resistir e em geral acompanhados por compulsões
rituais de olhar-se no espelho constantemente.
De
acordo com o DSM (Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais)
e o CID (Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas
relacionados à Saúde), temos como critérios para diagnosticar esse transtorno:
A.
Preocupação com um imaginado defeito na aparência. Se uma ligeira anomalia
física está presente, a preocupação do indivíduo é acentuadamente excessiva;
B.
A preocupação causa sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento
social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo;
C.
A preocupação não é mais bem explicada por outro transtorno mental (por ex.,
insatisfação com a forma ou tamanho do corpo na Anorexia Nervosa)
A
comorbidade (a ocorrência conjunta de dois ou mais transtornos num mesmo
indivíduo avaliado clinicamente) do TDC com a Depressão e Ansiedade chega a 50%
dos casos. Alguns autores sugerem que o TDC raramente aparece sem alguma
comorbidade.
Percebeu
a gravidade do problema?
Talvez
você não se dê conta.
Talvez
você esteja deixando de sair, se divertir, ter uma vida social, ir a lugares,
por causa de algum “defeito” corporal que você imagine ter ou que até tenha,
mas que é praticamente imperceptível. Mas quantas pessoas também não te acham e
até te falam que você é linda ou lindo? Será que todos estão mentindo? Até que
ponto essa sua visão crítica parte de pressupostos seus? Até que ponto você não
está permitindo que a mídia esteja ditando como você deve ser fisicamente?
O
seu valor não está na falta de rugas, no corpo magro, esbelto, musculoso, no
rosto sem manchas, no cabelo liso, nas pernas grossas, etc, etc, etc, mas,
acima de tudo, o seu valor está no que você é de fato. Aliás, realmente acho digno
e verdadeiro o pensamento de que não existem homens e mulheres feios, tudo
depende do modo como os vemos.
Dê
valor ao que você é e não à sua aparência, tem milhares de pessoas que
gostariam de parecer com você e não podem. Não se prenda a valores midiáticos.
Pare! Respire! Pense!

Bem verdade.... Parabéns pelas postagens, muita gente se indentifica.
ResponderExcluirQue bom que curtiu Vanusa, fica ligada que sempre teremos mais. Aproveita pra compartilhar com os seus contatos ok? Forte abraço!
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