sexta-feira, 27 de março de 2015

Será que meu espelho está embaçado?

No geral eu me amo! Só queria mesmo era mudar meu nariz, ter olhos mais bonitos, um cabelo melhor, pernas mais grossas, barriga tanquinho, braços mais torneados, bumbum mais redondinho e empinado, costas mais bonitas, uma pele mais lisinha... Mas no geral eu gosto muito do que vejo no espelho!
Quantas pessoas você conhece que não estão satisfeitas com seus corpos? Quantas pessoas você não já ouviu falar isso que está nas primeiras linhas desta postagem?
Inúmeras não é mesmo?
Até aí tudo bem, mas... e quando essa insatisfação é crônica, ou seja, quando a pessoa não consegue encontrar em si algo de bom focalizando-se apenas em algum “defeito” de seu corpo? Mais ainda... E quando essa visão distorcida impede essa pessoa de ter uma vida social? E quando você simplesmente prefere ficar em casa para não ter que mostrar ao mundo a "monstruosidade" que essa pessoa acredita ver no espelho? Aí já é de se preocupar né?
Estou falando do Transtorno Dismórfico Corporal (TDC).
Segundo Ballone (2008), o TDC é caracterizado pela preocupação com um imaginado defeito na aparência. Se existir uma pequenina (as vezes imperceptível) anomalia física é como se essa fosse aumentada com uma lente de aumento. Essa preocupação gera sofrimento ou prejuízo no comportamento social ou funcional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.
Começa geralmente na adolescência, podendo ser diagnosticado mais tardiamente. Não há grandes diferenças em acometerem homens e mulheres, ambos são igualmente suscetíveis à doença.
Mas, como que esse transtorno acontece?
Existe uma grande relação com alguma disfunção de certos neurotransmissores (substâncias químicas produzidas pelos neurônios) mais precisamente a serotonina. Ela, entre outras coisas regula o sono, o apetite e também influência no humor, nas emoções, na memória, no desejo sexual, etc. Aí está a sua causa biológica.
Pode acontecer a partir de uma desestruturação do EU, que se manifesta com uma dor psíquica. Onde alguma coisa não foi simbolizada psiquicamente e isso retorna como um defeito imaginário no corpo.
Mas também tem um elemento sociocultural.
Acontece que somos um sociedade, infelizmente, guiada pela mídia. Que diz o que devemos ou não comer, fazer, vestir, se comportar e SER. O que me deixa mais intrigado é: A mesma mídia que diz que comer no Bobs, McDonalds, Pizza Hut, dentre outras franquias de fast foods cheios de gorduras e carboidratos que só servem pra manter indivíduos obesos ou perto disso, diz que as meninas devem ter corpo de Panicat ou Verão (como na propaganda da cerveja), e os rapazes Léo Santana ou qualquer outro ator ou cantor magro ou musculoso, enfim, ícones da “beleza”.
Qualquer coisa diferente disso é “anormal”, não presta, tem que mudar. O que gera uma ansiedade ainda maior em indivíduos que já não tem uma auto-estima que já não é lá essas maravilhas. Não somos trabalhados culturalmente para nos aceitarmos e gostarmos de nós mesmos. São verdadeiros heróis aqueles que conseguem se manter satisfeitos consigo mesmo. Neste cenário surge meio que uma imposição da sociedade e... Já era!
Aí se aumentam as neuras, as distorções. Homens e mulheres lindos que não conseguem se ver assim. Recorrem a cirurgias plásticas, anabolizantes, ou qualquer coisa que possa deixá-los mais “bonitos”.
Os pensamentos são persistentes sobre os “defeitos” na aparência corporal são praticamente delirantes, além de intrusivos à consciência (você não quer mais eles invadem), difíceis de resistir e em geral acompanhados por compulsões rituais de olhar-se no espelho constantemente.
De acordo com o DSM (Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais) e o CID (Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas relacionados à Saúde), temos como critérios para diagnosticar esse transtorno:
A. Preocupação com um imaginado defeito na aparência. Se uma ligeira anomalia física está presente, a preocupação do indivíduo é acentuadamente excessiva;
B. A preocupação causa sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo;
C. A preocupação não é mais bem explicada por outro transtorno mental (por ex., insatisfação com a forma ou tamanho do corpo na Anorexia Nervosa)
A comorbidade (a ocorrência conjunta de dois ou mais transtornos num mesmo indivíduo avaliado clinicamente) do TDC com a Depressão e Ansiedade chega a 50% dos casos. Alguns autores sugerem que o TDC raramente aparece sem alguma comorbidade.
Percebeu a gravidade do problema?
Talvez você não se dê conta.
Talvez você esteja deixando de sair, se divertir, ter uma vida social, ir a lugares, por causa de algum “defeito” corporal que você imagine ter ou que até tenha, mas que é praticamente imperceptível. Mas quantas pessoas também não te acham e até te falam que você é linda ou lindo? Será que todos estão mentindo? Até que ponto essa sua visão crítica parte de pressupostos seus? Até que ponto você não está permitindo que a mídia esteja ditando como você deve ser fisicamente?
O seu valor não está na falta de rugas, no corpo magro, esbelto, musculoso, no rosto sem manchas, no cabelo liso, nas pernas grossas, etc, etc, etc, mas, acima de tudo, o seu valor está no que você é de fato. Aliás, realmente acho digno e verdadeiro o pensamento de que não existem homens e mulheres feios, tudo depende do modo como os vemos.

Dê valor ao que você é e não à sua aparência, tem milhares de pessoas que gostariam de parecer com você e não podem. Não se prenda a valores midiáticos. Pare! Respire! Pense!

2 comentários:

  1. Bem verdade.... Parabéns pelas postagens, muita gente se indentifica.

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  2. Que bom que curtiu Vanusa, fica ligada que sempre teremos mais. Aproveita pra compartilhar com os seus contatos ok? Forte abraço!

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